O Surpreendente Radar Dos Morcegos

Alguns animais possuem uma grande capacidade de localização, com isso, são capazes de se mover por longas distâncias sem perder o foco, ou seja, sem errar o caminho. Entretanto, esta capacidade extremosa, chamada de Biosonar ou Ecolocalização, não está delegada a todos os seres, mas somente a uns privilegiados, como golfinhos, baleias e também os morcegos.

Como Funciona o Sonar Dos Animais

Esta movimentação diferenciada é feita através de emissão de ondas ultrassônicas, na água ou no ar, durante este procedimento é feita uma cronometragem ou análise do tempo gasto para que estas ondas sejam emitidas até refletirem o alvo destinado e voltarem para os animais em forma de eco.

Estas informações e localizações são importantíssimas para que os animais possam se movimentar, especialmente em lugares onde a visão não pode ser aproveitada de forma eficaz, à noite no caso dos morcegos e em águas turvas para os golfinhos e baleias. Sem esta incrível capacidade, se tornaria quase impossível que estes animais se alimentassem de suas presas.

Baseado no estudo desses animais, os seres humanos desenvolveram uma capacidade semelhante de localização artificial, conhecida como sonar, radar e ainda os aparelhos usados na medicina, conhecido como ultrassom.

A História Do Biosonar Animal

A capacidade de radar dos morcegos e outros animais foi levantada pela primeira vez pelo biólogo Lazzaro Spallanzani, porém, teve sua descrição em artigos científicos somente muitos anos depois, em 1930. O termo usado atualmente como Ecolocalização foi introduzido através de estudos de dois zoólogos, Jonas Ansel e Donald Griffin, que comprovaram a existência deste atributo em morcegos.

Os Morcegos e Suas Características

Os morcegos, apesar de serem mamíferos, têm particularidades muito diferentes dos animais de sua espécie, pois tiveram sua capacidade adaptada para o voo, principalmente o noturno, cuja habilidade somente é partilhada com insetos e algumas aves. Além disso, esses animais possuem hábitos diferenciados, já que dormem durante o dia e de cabeça para baixo e à noite saem em busca de seu alimento, consumindo especialmente néctar de flores, frutos e alguns insetos. Há ainda aqueles que se alimentam de sangue, sendo chamados de hematófagos e conhecidos como morcegos vampiros, pela semelhança com o personagem da literatura que se alimentava do sangue de suas vítimas.

Os morcegos, assim como alguns animais já citados, possuem um sentido a mais, aliado aos cinco sentidos básicos de todos os animais, os quais nós também estamos acostumados, o de biosonar ou ecolocalização. Este importante recurso serve para a orientação noturna ou em ambientes escuros, especialmente cavernas, utilizado para a captura das presas, que em lugares assim se mostram totalmente desorientadas.

O Radar Dos Morcegos

Estes animais se orientam através da emissão de ultrassons com duração de alguns milésimos de segundos, que ecoam em contato com os obstáculos, com isso, os morcegos desviam deles sem risco nenhum de atrito. Eles são capazes de capturar suas presas da mesma maneira, incluindo ainda os sons que são captados por sua audição extremamente desenvolvida. Para que todas as informações cheguem, os morcegos tomam como base o tempo decorrido entre a recepção dos sinais e sua reflexão, com isso avaliam a distância dos objetos.

As ondas sonoras detectadas e emitidas pelos morcegos têm frequência de som estimada entre os 70 e 120 mil hertz. Para os seres humanos, estes sons não provocam sensação nenhuma aos ouvidos, já que são capazes de ouvir somente frequências estimadas entre 20 e 20 mil hertz.

A capacidade mais invejável dos morcegos é a de conseguir se guiar na total escuridão por meio de seu ultrassom, mas como muitos pensam, eles não são capazes somente de desviar de grandes obstáculos, porém conseguem localizar as presas mais minúsculas, como mosquitos, por exemplo, isso tudo em pleno voo.

Segundo estudos, ficou comprovado que esta capacidade extremosa de localização passou a ser desenvolvida com maior presteza naqueles morcegos que habitam as cavernas e cuja alimentação está quase toda baseadas nos insetos ali existentes. Primeiramente, o morcego detecta a presa ou o objeto através do ouvido, que recebe a emissão das ondas sonoras e analisa todas as informações, para saber qual a localização exata de seu foco principal.

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Este procedimento é tão fantástico, que permite ao animal mudar totalmente sua rota, ou fazer ajustes precisos em frações de segundo, de forma a evitar possíveis obstáculos e ainda detectar aberturas entre as rochas. Além disso, esta percepção dá ao morcego a capacidade de discernir entre um inseto e uma simples folha fina de papel, podendo fornecer a localização exata do inseto e ainda sua trajetória de voo, para que possa abocanhá-lo mesmo em movimento.

Uma das informações mais privilegiadas desses animais é a de conseguir distinguir seu próprio eco, mesmo quando há inúmeros outros morcegos a sua volta, isso foi comprovado cientificamente através de estudos pormenorizados. Descobriu-se que o tipo de emissão de ultrassom varia de acordo com o indivíduo, e também da variedade de espécie, então, existe uma variedade imensa de ultrassons se propagando pelo ar, pena que não podemos ouvir nem nos guiar da mesma forma.

Estes diversos ultrassons parecem estar diretamente relacionados com os diferentes tipos de animais existentes, os quais apresentam especializações anatômicas, o que podem aumentar ou diminuir seu potencial perceptivo. Nas espécies Microquirópteros, os sons são produzidos a partir de vibrações da laringe, pois possuem uma forte musculatura local; já nos Megaquirópteros ela ocorre através da língua, daí a diversificação de sons emitidos.

Curiosidades

  • Muitos afirmam que os morcegos são cegos, por isso, desenvolveram o senso de ecolocalização, mas, na verdade, eles não cegos, porém, possuem a visão não tão apurada quantos os demais sentidos.
  • Durante o voo para a caça, os morcegos primeiramente emitem até dez pulsos sonoros intercalados por períodos silenciosos de aproximadamente cinquenta milissegundos. Então, ao encontrar o inseto, o intervalo entre a emissão de pulsos diminui, e quando se aproxima de sua vítima ele emite um som semelhante a um zumbido, para logo a capturar.
  • Apesar de terem sido colocados na categoria de vilões, os morcegos não fazem mal aos seres humanos, pois não os atacam. O único problema é quanto os homens tentam pegá-lo, podendo contrair a raiva.


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